
David Vinicius do Nascimento Maranhão OAB-DF 60.672
A avaliação médica é uma das etapas mais sensíveis dos concursos da Polícia Militar do Paraná. Não raras vezes, candidatos tecnicamente preparados e aprovados nas fases anteriores são surpreendidos por um parecer de inaptidão que, à primeira vista, parece definitivo. A frustração é compreensível, mas, do ponto de vista jurídico e administrativo, essa etapa exige leitura cuidadosa, análise técnica e atuação estratégica.
O exame médico, englobando a avaliação presencial, não tem como finalidade excluir candidatos de forma automática, mas verificar se existem condições clínicas incompatíveis com o exercício das atribuições do cargo.
O problema surge quando a aplicação desse critério ultrapassa os limites do edital, ignora circunstâncias momentâneas ou deixa de considerar exames complementares capazes de demonstrar a plena aptidão do candidato.
Embora a avaliação médica seja etapa eliminatória prevista no edital, ela não é absoluta. O ato administrativo que declara a inaptidão precisa observar critérios objetivos, razoabilidade e coerência com as exigências do cargo. A Administração Pública não pode eliminar um candidato com base em presunções genéricas ou em situações transitórias que não representem risco real ao desempenho da função policial.
É nesse ponto que muitos candidatos acabam sendo indevidamente excluídos, seja por falhas formais, seja por interpretações excessivamente rígidas da banca examinadora.
Diversas reprovações não decorrem de doenças incapacitantes, mas de descuidos formais ou circunstâncias momentâneas.
O edital da PMPR estabelece, por exemplo, exigências específicas quanto à vestimenta para o exame presencial. O não comparecimento com o traje correto, ainda que o candidato esteja em plenas condições de saúde, pode resultar em eliminação.
Outro ponto sensível é a documentação médica. A ausência de um exame exigido, um laudo incompleto ou a falta de assinatura de especialista são suficientes para gerar a inaptidão, mesmo quando não existe qualquer impedimento clínico real.
Durante o exame presencial, o candidato é submetido a inspeção física detalhada, em ambiente muitas vezes hostil, com tensão emocional elevada. Alterações pontuais de sinais vitais, como elevação da pressão arterial, são relativamente comuns nessas circunstâncias.
Quando isso ocorre, a banca pode declarar o candidato temporariamente inapto. Essa classificação não equivale à exclusão definitiva, mas indica a necessidade de exames complementares para confirmar se há patologia crônica ou apenas alteração circunstancial.
Em muitos casos, exames cardiológicos prévios estão normais, e a alteração detectada no dia do exame não se repete em avaliações posteriores mais detalhadas.
Quando a banca solicita exames adicionais, o candidato recebe a oportunidade de demonstrar, de forma técnica e documentada, que não possui qualquer condição incapacitante. Exames como monitorização ambulatorial da pressão arterial, avaliações laboratoriais e exames de imagem costumam ser exigidos, sempre acompanhados de laudo médico conclusivo.
Mais do que a simples realização dos exames, o que realmente faz diferença é a qualidade do laudo. O médico especialista deve analisar os resultados, contextualizar os dados e afirmar, de forma clara e objetiva, que o candidato está apto para o exercício das atividades físicas e funcionais do cargo policial, sem restrições.
A reprovação na avaliação médica de concurso público deve ser expressamente fundamentada, com indicação clara dos critérios técnicos utilizados pela banca examinadora. O ato administrativo precisa respeitar os princípios da motivação, razoabilidade e proporcionalidade, não sendo válida a simples menção genérica à existência de uma condição física ou clínica.
O Superior Tribunal de Justiça possui entendimento consolidado no sentido de que é ilegal eliminar candidato com base em fundamentos abstratos, genéricos ou hipotéticos, situados no campo da probabilidade. Não se admite reprovação fundada na suposição de que determinada característica poderá evoluir para um quadro patológico ou eventualmente prejudicar o exercício do cargo.
A banca deve demonstrar, de forma objetiva e mensurável, que a condição constatada é incompatível, no momento da avaliação, com as atribuições do cargo pretendido. Presunções sobre riscos futuros ou avaliações subjetivas não atendem ao dever de fundamentação.
Assim, a inaptidão médica somente se justifica quando há inequívoca ausência de condições físicas ou psíquicas para o exercício das funções. Na ausência de motivação técnica adequada, é legítima a intervenção do Poder Judiciário para afastar o arbítrio e assegurar ao candidato o direito de prosseguir no concurso público.
O recurso administrativo é o primeiro e mais importante instrumento de defesa do candidato. É nele que se busca a reversão da condição de inapto para apto, com base em provas médicas atuais, completas e coerentes com o edital.
Um recurso bem fundamentado não se limita a anexar exames. Ele demonstra que a suposta alteração não configura doença, não está prevista como causa de exclusão definitiva e não compromete o desempenho das atribuições do cargo. A argumentação técnica, aliada à documentação correta, aumenta significativamente as chances de deferimento.
Há situações em que, mesmo após a apresentação de exames complementares e laudos conclusivos, a banca mantém a inaptidão. Nesses casos, o problema deixa de ser apenas médico e passa a ser jurídico.
A negativa administrativa, quando ignora provas técnicas idôneas ou extrapola os limites do edital, pode configurar ilegalidade. É nesse momento que a análise jurídica especializada se torna fundamental, inclusive para avaliar a viabilidade de uma medida judicial que assegure ao candidato o prosseguimento no certame.
A judicialização não significa desrespeito ao concurso, mas a busca pelo controle da legalidade do ato administrativo. O Poder Judiciário não substitui a banca examinadora, mas pode determinar nova avaliação, reconhecer a validade dos exames apresentados ou suspender os efeitos da inaptidão quando demonstrada a ausência de fundamento técnico razoável.
Em muitos casos, a concessão de medida liminar permite que o candidato continue nas demais etapas do concurso enquanto o mérito da ação é analisado, evitando prejuízos irreversíveis decorrentes do avanço do cronograma.
A reprovação na avaliação médica do concurso da PMPR não deve ser encarada como um ponto final automático. A experiência demonstra que grande parte das inaptidões pode ser revertida quando o candidato compreende o edital, reúne a documentação correta e atua de forma técnica e estratégica.
Cada situação exige análise individualizada, tanto do ponto de vista médico quanto jurídico. A atuação preventiva, ainda na fase administrativa, costuma ser decisiva para evitar a exclusão definitiva e preservar o direito de continuar disputando uma vaga no concurso público.
Para candidatos que enfrentam situações mais complexas ou decisões claramente desproporcionais, a orientação jurídica especializada se mostra um instrumento legítimo e necessário para a proteção do direito ao acesso regular aos cargos públicos, nos termos da Constituição e da legalidade administrativa.
É possível, portanto, realizar uma análise jurídica técnica e individualizada, voltada exclusivamente à legalidade do exame e à regularidade da reprovação, sempre com observância dos limites éticos da atuação profissional e sem promessas de resultado.
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Publicado em: 2026-01-20
Última modificação: 2026-01-20